Manifesto
A cena não pede licença
Por que este lugar existe, como ele é feito e o que ele se compromete a não fazer.
Durante anos isso aqui foi um vlog caseiro. Câmera na mão, luz do que tinha, corte no olho. Nunca foi vergonha: zine sempre foi alguém decidir que uma coisa merece existir e fazer com as próprias mãos, sem pedir licença.
O que estava baixo nunca foi a ambição. Era a resolução.
A cena brasileira nunca foi pequena. Pista de bairro que forma campeão mundial. Selo que prensa cem cópias e muda o som de uma cidade. Editora de fundo de quintal que publica o poeta que a universidade vai estudar em dez anos. Crew que ocupa a praça toda quarta há quinze anos.
O que falta não é cena. É alguém dando zoom.
O buraco que a gente veio tapar
Quando a mídia grande cobre a cena, ela achata: vira tendência, perde nome, perde contexto, vira pauta de verão. Quando a própria cena se cobre, ela é fiel — mas parece feita às pressas e morre em seis meses. Ninguém deveria escolher entre ser levado a sério e ser fiel.
Por que as editorias são essas
Portal comum separa por vertical: Música, Cinema, Games. A cena não funciona assim e nunca funcionou. No mesmo fim de semana tem campeonato de skate, banda tocando, zine sendo vendido na mesa da frente e alguém fazendo respiração no canto do galpão. É uma coisa só.
Por isso as oito editorias seguem lógica de cena, não de prateleira:
- [Ruído] — música. O que o mainstream chama de ruído é onde tudo começa.
- [Asfalto] — skate, breaking, bike, rua. Onde o corpo encosta na cidade.
- [Projeção] — cinema e séries. Projetar é exibir e é imaginar o que vem.
- [Marginália] — literatura. A nota escrita na margem do livro.
- [Sinal] — tecnologia como meio de transmissão, não como gadget.
- [Fase] — games. A palavra que a gente já usava antes de virar level.
- [Respiro] — corpo e espiritualidade. Em design, respiro é o branco da página.
- [Cena] — o que não cabe nas outras sete e não pode faltar.
Como o portal funciona
[Radar] — todo dia útil
Agenda, lançamento, chamada aberta, link que importa. Curto e honesto sobre ser curadoria. Sem inventar notícia onde não tem.
[O Mapa] — sempre vivo
O diretório de quem faz: criador, podcast, selo, coletivo, editora, cineclube, crew. Aberto, gratuito e escrito por gente. Se você faz e não está lá, é falha nossa.
[A Capa] — toda quinta
Um assunto por semana ganha uma página inteira desenhada só para ele. Não é matéria com foto no topo: é travessia. As capas são numeradas como edição de revista e viram o acervo do portal.
Como usamos inteligência artificial
Vamos falar da parte que ninguém fala. Este portal usa IA — e diz onde.
Onde entra
- Varredura de fontes, agenda e lançamentos para o Radar.
- Primeira estrutura de texto e rascunho.
- Construção das páginas de capa: código, layout, animação.
- Organização das fichas do Mapa e adaptação de formato entre canais.
Onde não entra
- Opinião, crítica e avaliação.
- Texto publicado sem revisão e assinatura humana.
- Entrevista, apuração e checagem.
- Fabricação de fato, número, data ou citação.
- A escolha do que merece capa.
Três compromissos: toda matéria tem autor humano nomeado; nada é publicado sem leitura humana; onde a IA foi usada, está escrito na peça. A internet está sendo enchida de texto sem dono. A gente assina o que faz.
Quem faz
Edição e curadoria de @rulio_cruz. Pauta, correção e indicação de cena: manda aqui. Resposta em até dois dias úteis.
Mapa da cena
Falta alguém no Mapa?
Não é falta de interesse. O Brasil é grande demais para uma pessoa dar conta sozinha.